A mulher negra que criou a base para sistemas de Circuito Fechado de Televisão (CCTV)

•julho 1, 2017 • Deixe um comentário

 

2026d9de7a07673a6b7d2936f3220aeaMarie Van Brittan Brown nasceu em 30 de outubro de 1922. Ela era uma enfermeira e inventora afro-americana.

Nasceu no distrito de  Queens, Nova York, em 1966, e faleceu em 2 de fevereiro de 1999 com 76 anos.Ela teve a ideia de um dispositivo de vigilância domiciliar e solicitou uma patente junto com o marido Albert Brown em 1966 para um sistema de segurança em circuito fechado de televisão. Eles criaram um sistema para uma câmera motorizada para mostrar imagens em um monitor. A patente, nº 3.482.037 foi concedida. Seu projeto era o precursor do sistema de segurança doméstica moderno.

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Marie Van Britton e (Marido) Albert Brown

O sistema de Brown tinha um conjunto de quatro olhos-mágicos e uma câmera que poderia deslizar para cima e para baixo para olhar em  cada um deles . Qualquer coisa que a câmera filmasse  apareceria em um monitor. Uma característica adicional da invenção de Brown era que uma pessoa também poderia desbloquear uma porta com controle remoto. Marie Brown disse ao New York Times que o casal inventou o dispositivo porque a polícia estava lenta em responder as emergências em sua vizinhança.  Marie Brown queria se sentir mais segura em casa sozinha. The Times informou que o “sistema de alarme de áudio-video” poderia ser usado para ver quem estava na porta e entrevistá-los também. Ela recebeu um Prêmio pelo Comitê Nacional de Cientistas (NSC).

 

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O PRÍNCIPE COM COROA DE HUMILDE

•maio 17, 2017 • Deixe um comentário

O PRÍNCIPE COM COROA DE HUMILDE “#Benin” |

Essa é a história de um príncipe (que havia se tornado Rei) que acreditava na simplicidade e na humildade como arma da boa governação.

A imagem pode conter: 1 pessoa, textoEra uma vez na República Do Benin um príncipe humilde que vivia de forma “simples” alegre e eufórica a sua fase mais importante da vida. Um príncipe que não tinha complexo algum com os amigos que fazia fora do Palácio Real.

És a história.

Dizia o príncipe : Quando criança brincávamos muito de reis. Mesmo na brincadeira, para ser Rei era necessário respeitar o ritual do jogo que passava pela moeda dourada. Nós atirávamos uma moeda de ouro para ver quem tinha que ser rei. Normalmente quem se tornava rei tinha o direito e a legitimidade em dizer aos demais o que fazer. E na brincadeira sempre se indicava no nosso seio um varredor. O varredor na verdade era dentre todos o mais insignificante do Reino. Obviamente que ninguém queria ser um varredor mesmo sendo uma brincadeira. Pois o varredor era aquela pessoa com menor poder, o dito subjugado e impotente que tinha de esperar o rei para seguir a cada demanda. Por exemplo, ele teria que limpar o palácio do rei e até mesmo atuar como cavalo do rei. Mesmo que se revoltasse, o varredor não tinha direito algum em reclamar. Pois na próxima jogada se tiver sorte da moeda dourada calhar em si como vencedor, ele se tornaria também um legítimo Rei. Só assim poderá vingar (caso queira) sobre as humilhações que sofrera.

O certo é que o jogo funcionava, e cada um esperava a sua vez de Reinar.

Na verdade era só um jogo. A vida é tão real que nem se quer temos noção do quão ser Rei em Afrika, especificamente no Benin é extremamente difícil. Não tinha noção que ser Rei é ser um exemplar líder. Não tinha noção que ser Rei é ser como um varredor, mas em um formato diferente. No fundo todos nós somos varredores. Sabem porquê? Porque servimos alguém em particular ou o povo no geral, assim como o varredor serve o Rei.

Eu não pedi aos ancestrais e aos meus pais para nascer numa família real. Se a menos tivéssemos o direito de escolha, com certeza que escolheria nascer no seio de uma família rica de amor. Aprendi com o meu pai que o mal e o ódio destrói os homens. E o amor constrói o mundo. Até os nossos ancestrais adoram ser tratados com amor.
Mesmo assim todos querem ser Rei por causa das facilidades caprichos e mordomias que um rei tem. Poucos querem ser Rei com largos interesses de servir, ou seja, liderar e enquadrar o seu povo com dedicação justiça e amor.

O certo é que ser Rei é ter sobre os nossos ombros a responsabilidade de resolver quaisquer dos problemas que afectam a nós e ao nosso povo. Portanto, ninguém é Rei em uma aldeia vazia. Só somos Reis porque existe pessoas para servir e sermos servidos.

Aprendi a conviver com os meus amigos que não pertenciam a comunidade real. O facto de saber que um Rei vivesse longe do calor da população incomodava-me bastante. Pensava eu que quando for Rei teria o privilégio de saber por viva voz os problemas do meu povo. E não por via de bloqueios ministeriais do Palácio Real. Como por exemplo : Para ser concedido uma audiência com um rei, tradicional o cidadão deve manter contato com o círculo interno do Rei assim como Ministros, secretários sacerdotes e criados. São eles que passam as informações para o rei e o Rei decidirá se é favorável conceder ao caro cidadão, e em caso afirmativo, onde, quando será atendido. Modéstia parte eu não acho esse processo coreto. Se eu nasci para servir o meu povo porquê que tenho de viver de forma secreta? Viver de forma secreta não me dá a possibilidade de viver na pele os verdadeiros problemas do meu povo. Não importa se sou um varredor com privilégios. O certo mesmo é que sou um varredor! E como varredor o meu dever é servir o meu povo sem quaisquer bloqueios. Até porque os meus servidores ministeriais podem muito bem me enganar. Eu aprendi a confiar na desconfiança.

Eu amo a cultura do meu povo. Mas não tinha noção que antes de ser um Rei era precisamente necessário passar por um processo cultural. Ora, não tinha noção de que para se tornar rei, um jovem príncipe deve passar por muitos rituais de iniciação, que incluem ensaios mentais e físicos. E mesmo uma vez que se torna um rei, ele realizará muitos rituais diários para governar e aparecer em público. A maioria dos rituais são secretos; Poucos, mas o próprio rei e seus sacerdotes mais próximos sabem sobre eles. Quando o rei está pronto, somos postos à prova com uma exibição de recepção que é em parte uma expressão dos rituais que acabamos de aprender dentro do palácio real.

Também aprendi a curvar com a testa no chão, para ouvir comandos que brotam da esquerda e da direita. Ou seja, aprendi a me curvar diante dos meus pais ancestrais e até dos meus subordinados. E ser sobretudo transportado para o meu jogo de reis e varredores. É um rico aprendizado. Ou melhor, é uma lição que nos ensina que apesar de pertencer a realeza nós não estamos seguros que o nosso Reinado estará vivo para todo o sempre. É caso para dizer que o futuro é imprevisível. Amanhã podemos nos tornar também cidadãos comuns, caso o Reino perca a soberania e a linhagem real por via dos invasores. Imaginem que isso realmente venha acontecer no meu Reinado ? Como Rei passarei a ser um prisioneiro povo e pobre como qualquer um cidadão da aldeia, cidade, ou região. Daí a razão de aprender-mos a ser povo sem quaisquer mordomias reais.

Uma coisa que também gostei de aprender é que a cultura é um valor de capital importância nas nossas vidas. É preciso respeitar as regras culturais. Assim como o palácio tem suas próprias regras e segredos, que o mundo exterior não é permitido saber. Pois o cetro dos reis têm poderes secretos, que são definidos quando um rei ascende ao trono. Muitas vezes existem muitas imagens representacionais e objetos de felinos no palácio dos reis. De acordo com a mitologia-real, o rei possui seus poderes por via da natureza, especificamente dos animais e da natureza cosmologica após ter comprido todo o ritual pelos mestres conservadores da tradição real.

A influência de diferentes reis em cada reinado varia muito; Um rei pode ter grande influência sobre vastas áreas e ter dezenas de palácios evidência orgulhosa de sua herança, enquanto outro rei pode ter apenas influência mínima em uma pequena aldeia. No fundo tudo depende da ambição e da capacidade de liderança de cada Rei. E a minha ambição não está acima da ambição do meu povo ; em ter uma vida melhor em quase todos os sectores da vida.

O certo mesmo é que agora me tornei um verdadeiro Rei, mas um Rei diferente. Um Rei que respeita os costumes reais, mas que vive na pele a dor do seu povo. Um Rei que tem como dever perpetuar a cultura ancestral do seu povo. Um Rei que tem como dever em defender a soberania, e ao mesmo tempo os interesses do seu povo.

Eu não quero que me chamem de humilde. Prefiro que me chamem de Rei varredor. Eu não quero ser respeito pelo coração que vós dizeis que tenho. Eu quero ser respeitado em fusão do meu trabalho como Rei que sou!

Narrativa d&: Mar Negro Moufty O João Niango Ngombo Kina.

Baseado Na Mitologia-Real Beninense

Fonte: Kenbam

SOBRE O TERMO “OMI”.

•maio 17, 2017 • Deixe um comentário

 

 

 

(Dedico esse texto aos meus irmãos)

A primeira vez que eu vi (li) o termo “omi” achei que era uma sigla. Parei um pouco pra pensar, e entendi do que se tratava após a célebre frase “omi fazendo omice”. É uma referência aos “homens que não são homens de verdade”. Homens que são machistas.

Bom, eu escrevo, milito, trabalho, vivo e respiro para, com e por causa do meu povo. Então eu quero discutir aqui o uso deste termo em relação aos homens PRETOS.

Quando entendi o significado, automaticamente lembrei de Fanon: “Eu só queria ser um homem comum, mas eu sou um homem preto”. E Fanon, homem preto, fala no seu célebre livro “Pele Negra, Máscaras Brancas” sobre como os pretos são socialmente vistos como “menos homens”. Ele chama atenção para o fato de que não é a toa que a representação mais comum do homem preto nas nossas sociedades é de homens pretos jovens. No dia-a-dia, homens pretos raramente são tratados como “senhores”. Antes, ele é o grande “brother”, mesmo que tenha 50 anos de idade.

Samora Machel também se refere a isso no livro “Estabelecer o Poder Popular para Servir às Massas”. O que a colonização fez, segundo ele, foi, dentre outras coisas, reduzir os homens de um povo a uma trupe de “moleques”. Malcolm também escreve sobre isso em sua auto-biografia.

Em resumo, o que eu quero dizer é que homens pretos, sempre foram os “omis” da sociedade. A supremacia branca sempre agiu assim e isso não é nenhuma novidade, mas ver mulheres e homens pretos usando esse termo me corta o coração. Dói em mim. Idem para o termo “macho”. Como “machos” e “fêmeas” fomos vendidos por 400 anos (só na diáspora atlântica). Como podemos não observar a perversidade disso?

Alguns podem até ter esquecido, mas homens pretos são meus/nossos filhos, sobrinhos, irmãos, pais, tios, avôs, amigos. Homens pretos são nossos Orixás. E os Orixás também são “menos homens”. Porque o deus homem “de verdade” é o deus branco do cristianismo. Xangô, Ogum, Obaluaê (…) são “menos-deuses homens”. São “deuses omis”. E quando eu vejo pessoas pretas escrevendo “odeio homens”, “morte aos homens” e afins, eu fico me perguntando: essas pessoas não tem ancestralidade não?

Quando um homem preto comete um crime, ele será enjaulado e tratado como o “omi” social que é. A situação dos homens pretos nas cadeias deste país revela mesmo que estes são os “omis”. Quando homens pretos cometem crimes, muitos contra mulheres pretas, quero sim que eles paguem por isso (mesmo sendo uma árdua defensora da abolição das prisões, militância que aprendi com a Angela Davis). Mas esse homem jamais se tornará um “omi” pra mim. Porque em última instância, “omi” retira do homem preto a sua humanidade historicamente negada. É chutar quem já está caído. Homens pretos continuam sendo homens e humanos mesmo quando fazem as maiores merdas. São homens. Jamais “omis”. Por favor, já tiraram tanto a nossa humanidade! Como é possível que possamos fazer isso com nós mesmo?

Finalizo dizendo que precisamos ter muito cuidado com as palavras que a gente usa. O cuidado com as palavras e os nomes é essencialmente africano. E eu queria dizer aos meus irmãos pretos que eu lamento muito, muito mesmo essa febre adolescentóide que tomou conta das redes sociais. Eu tive um pai preto maravilhoso, um homem preto que cometeu suicídio devido às consequências do racismo (um dia escreverei sobre isso), e eu bem compreendo as consequência do que é ser tratado como “omi social”, e como é se sentir um “omi social”.

Meus irmãos pretos (e quem são meus irmãos sabem que são), espero que juntos, aos pouquinhos, possamos ir reconstruindo nossas comunidades, famílias e relações. Que a gente volte a aprender a se amar. E a se olhar nos olhos. São vocês os homens que eu admiro. Quando vocês errarem, eu vou ser a primeira a cobrar vocês por isso, mas sem jamais esquecer de que nós somos UM SÓ POVO. E que sua negritude é a minha. E que sua humanidade é a minha. E que eu sou sua irmã. E que você sou eu.

ANKH, né? Quem realmente conhece nossa ancestralidade, sabe do que eu tô falando. Sou porque somos. Ubuntu é isso.

 

5º Encontro Nacional das Comunidade Quilombolas.

•maio 11, 2017 • Deixe um comentário

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De 22 a 26 de maio de 2017, Belém do Pará estará sediando o 5º Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas, o evento irá reunir representantes de várias comunidades quilombolas do território brasileiro, tendo  como objetivo discutir os diversos aspectos envolvidos no tema “Terra Titulada: Liberdade Conquistada e Nenhum Direito a Menos”, fortalecer a luta pelo direito à terra, ao desenvolvimento sustentável,  igualdade racial e combate ao racismo.

O encontro tem a intenção de manter uma articulação entre as comunidades que se autodeclaram quilombolas no país na manutenção de direitos já conquistados e na luta por novos reconhecimentos.

No evento haverá debates sobre direitos territoriais, agricultura familiar, meio ambiente e ensino superior nas comunidades  quilombolas, grupos de trabalho voltados para temas específicos, como Protagonismo das Mulheres, Empoderamento da Juventude, Saúde da População Negra, entre outros. Também haverá participação  de pesquisadores e especialistas convidados.

O 5ª Encontro Nacional também terá programação cultural, com apresentação de grupos de música e dança, exposição fotográfica, e feira com produtos feitos nas comunidades quilombolas.

Inscrições:
– Ouvintes: https://goo.gl/forms/oOxLGOxhFXPOVOfX2
– Interessados em expor/vender produtos na feira: https://goo.gl/forms/diJp9Jo4YdC9PRZv1

Chevalier de Saint-George um homem revolucionário e ativista que influenciou a música clássica europeia.

•novembro 7, 2016 • Deixe um comentário

Resultado de imagemSaint-George é conhecido hoje como um dos principais contribuintes de ascendência Africano na tradição da música clássica europeia. Ele ganhou fama como violinista, maestro e compositor; Alguns dos melhores compositores da Europa criaram obras de violino com Saint-George em mente como solista, e ele liderou as estreias de algumas das maiores sinfonias de Franz Joseph Haydn. A música do próprio Saint-George, há muito esquecida, foi revivida com sucesso. Em seu próprio tempo, no entanto, Saint-George era conhecido por muito mais do que música. Um campeão esgrimista quando jovem, ele era objeto de uma controvérsia racial muitas vezes velada e às vezes aberta. Ele sobreviveu a duas tentativas de assassinato, abandonou o mundo aristocrático para lutar por ideais revolucionários, e era um homem importante na luta por igualdade racial na França e na Inglaterra.

Saint-George nasceu na ilha caribenha de Guadalupe em 25 de dezembro de 1745. Seu sobrenome foi às vezes chamado de “Saint-Georges”, mas seu pai geralmente deixou cair o final “s”, e uma rua com o nome da Mais jovem Saint-George. O pai de Saint George, George de Bolonha Saint-George, era dono de uma fazenda e escravocrata em Guadalupe, e na França fazia parte do círculo íntimo do rei Luís XV. Ele era casado e tinha uma filha legítima, mas também tinha uma amante escravizada, provavelmente nascida no Senegal, chamada Nanon e considerada excepcionalmente bela. Era pouco ortodoxo para George de Bolonha Saint-George reconhecer esta infidelidade inter-racial, e mais incomum ainda quando ele levou não só sua esposa, mas sua amante e filho ilegítimo com ele para a França em 1748, fugindo de uma condenação judicial por matar um homem em um duelo.

Saint-George recebeu a tutoria apropriada para um jovem membro da nobreza francesa, frequentando um internato dirigido por um famoso espadachim chamado La Boëssière. Além de esgrima, seus estudos incluíam literatura, ciências e cavalgadas. O professor tornou-se o primeiro de vários observadores a escrever com admiração a destreza de Saint-George com a espada. Saint-George era alto, bonito, e gracioso, e encontrou rapidamente sua maneira nos salões da aristocracia francesa. Em 1765 um esgrimista chamado Picard insultou Saint-George e desafiou-o a um duelo. Saint-George no princípio recusou, mas seu pai prometeu-lhe uma carruagem nova se lutasse e ganhasse. No duelo na cidade de Rouen, Saint-George emergiu rapidamente o vencedor. Ele sofreu sua primeira derrota no ano seguinte nas mãos do famoso esgrimista italiano Giuseppe Gianfaldoni, que elogiou Saint-George e disse que ele seria em breve o melhor esgrimista do continente europeu.


Na música, também, Saint-George era um estudante destacado. Vários dos principais compositores franceses se beneficiaram do patrocínio do ancião de Saint-George no passado, e o jovem Saint-George se beneficiou de suas atenções musicais. Pensa-se que ele estudou o violino com um dos grandes virtuosos franceses, Jean-Marie Leclair o Velho, e dominou o cravo (um antepassado do piano) também. No final da década de 1760, ele se tornou o destinatário de uma dedicação de François-Joseph Gossec, o compositor no centro da vida de concertos parisienses. Em 1769, Saint-George se juntou a uma orquestra chamada Le Concert des Amateurs, dirigida por Gossec, como primeiro violinista, e em 1773, quando Gossec mudou para um cargo de direção diferente, Saint-George tornou-se diretor do grupo.

Mesmo enquanto marcava esses sucessos, o status de Saint-George na sociedade francesa era ambivalente. Os líderes religiosos estavam agitando para o fim da escravidão, e o próprio Rei Luís XVI se opôs à prática. Mas os casamentos inter-raciais eram proibidos (Saint-George nunca foi capaz de se casar), e a crença na inferioridade genética dos africanos era generalizada. Quando a notícia de suas façanhas atléticas e musicais espalhou, Saint-George tornou-se famoso. A palavra chegou mesmo a América de como poderia nadar através do rio de Seine usando somente um braço ou atirar em e bater uma moeda lançada no ar, e era algo de um trendsetter da forma também. Mas sempre houve uma sub-corrente de controvérsia racial em torno de sua reputação. Saint-George tinha poderosos apoiantes que apreciavam seus talentos, incluindo a rainha Marie Antoinette (a quem ele estava inusitadamente perto). Mas quando foi considerado para o prestigioso posto de diretor da Ópera de Paris em 1775, duas das principais sopranos da empresa objetaram e pediram à rainha (de acordo com uma biografia de Saint-George aparecendo no site da editora Artaria), afirmando que ” Sua honra e a delicadeza de sua consciência impossibilitavam que fossem submetidos às ordens de um mulato “.

Não obstante, Saint-George era uma estrela principal em Paris nos 1770s. Em 1772, havia escrito vários concertos de violino (obras para violino e orquestra) para seu próprio uso como intérprete; Líricos de dimensões ambiciosas, voltaram ao repertório de concertos clássicos no final do século XX. Os concertos não são showpieces flashy mas bespeak um performer com um tom liso, aveludado mesmo nos alcances os mais elevados da escala do violino. Saint-George também tocou música de câmara (música para pequenos conjuntos), entusiasmado submergindo seus próprios talentos em um som de grupo, e ele e Gossec estavam entre os primeiros compositores franceses a escrever música em um importante novo gênero de origem austríaca – o quarteto de cordas.

Saint-George, embora não prolífico, escreveu um modesto corpo de música que mostrou uma consciência das tendências atuais em geral, e foi amplamente ouvido. Mozart base uma passagem em sua pontuação ballet Les petits Riens (Os pequenos nadas) em um dos melodias de Saint-George. Saint-George escreveu um concerto para harpa e orquestra, várias sinfonias e óperas, e várias obras em géneros caracteristicamente franceses: a symphonie concertante (para um pequeno grupo de instrumentos com orquestra) e quartet concertante (para um grupo misto de pequenos instrumentos). Ele também compôs várias sinfonias e óperas, algumas das quais foram perdidas. O editor de música Bailleux assinou um acordo de seis anos com Saint-George dando-lhe direitos de publicação para os futuros concertos de violino do compositor.

Um dos indivíduos mais célebres na capital francesa, Saint-George tinha vários apelidos. Uma era “Le Mozart Noir”, ou o Mozart Negro; Em cartazes de concertos que anunciam a música de Mozart e a de Saint-George, os dois frequentemente receberam faturamento igual. Outro foi Le Don Juan Noir, o Don Juan Negro, mas não está claro se esta parte da reputação de Saint-George foi exagerada. O que estava claro era que ele despertava ressentimento em alguns lugares. Em 1779 Saint-George e um amigo foram atacados por seis homens enquanto caminhava. O ainda ágil Saint-George os combateu com sucesso, mas uma investigação sobre o ataque foi misteriosamente esmagada, com rumores circulando que os atacantes eram a polícia secreta da corte em Versalhes, e que a razão para o ataque foi a proximidade de Saint-George a Marie Antoinette, com quem muitas vezes tocava música.

Após a dissolução do Concert des Amateurs, Saint-George fundou um novo grupo chamado Concert de la Loge Olympique em 1781. Trabalhando com um patrono aristocrático, ele organizou a composição e realizou as primeiras apresentações em 1787 dos seis “Paris Symphonies “de Franz Joseph Haydn, amplamente considerado o maior compositor da Europa na época (Mozart era mais conhecido pelos conhecedores do que pelo público em geral). Ele ainda estava voando alto como compositor, escrevendo a ópera de sucesso La fille-garçon (The Girl-Boy) e também uma ópera para crianças, Aline et Dupré ou le Marchand des marrons (Aline e Dupré ou The Chestnut Seller). A extensão de sua fama foi mostrada quando deu uma exposição do fencing em Inglaterra em 1787 de encontro a um oponente acreditado para ser uma mulher, Chevalière d’Éon (realmente um diplomata francês masculino vestido como uma mulher): o evento foi descrito em pinturas que Circulou por toda a Europa.

Na Inglaterra, Saint-George se envolveu com o crescente movimento anti-escravidão do país, e fundou um grupo francês semelhante chamado Sociedade dos Amigos dos Negros. Aparentemente, essas atividades eram irritantes para traficantes de escravos britânicos; Saint-George foi atacado mais uma vez por um grupo de cinco homens armados com pistolas em Londres, mas mais uma vez escapou de ferimentos graves, usando seu bastão como uma espada improvisada. Embora tivesse quebrado um tendão de Aquiles quando ele tinha 40 anos, ele ainda era um espadachim formidável. Saint-George tornou-se o primeiro Freemason preto da França, subindo para o grau 33 graus.

Grande parte da última década da vida de Saint-George foi moldada pela Revolução Francesa e suas consequências. Ele simpatizava com os objetivos democráticos da revolução e, vivendo na cidade de Lille, tornou-se capitão da Guarda Nacional. No entanto, com suas fortes conexões com o tribunal francês deposto, ele era também objeto de suspeita entre os líderes revolucionários; Na década de 1790 ele trocou seu nome aristocrático para Monsieur de Saint-George e mais tarde para simplesmente George. Quando a guerra se desencadeou entre a França e a monarquia austríaca, Saint-George se juntou a um grupo de negros franceses que esperavam formar um novo corpo que se voluntariasse para os combates. Saint-George tornou-se um coronel na nova força, e outra medida de sua fama foi que era popularmente conhecida como a Legião de Saint-George, embora seu nome oficial fosse diferente.

Saint-George e seu regimento viram a ação pesada, e Saint-George reivindicou o crédito para a vitória sobre os Austriacos em Lille. Ele também desempenhou um papel-chave em frustrar a chamada traição de Dumouriez, um complô de um oficial francês renegado, o general Dumouriez, para apoderar-se da cidade; Saint-George enganou o agente do general, um General Miaczinski, para que pensasse que não oferecia resistência, mas depois o deteve. Dumouriez foi forçado a fugir do país. Saint-George foi saudado como um herói, mas as lutas de poder que envolveram o governo revolucionário logo o afetaram também. Um dos deputados do regimento negro de Saint-George, Alexandre Dumas (pai do famoso romancista francês do mesmo nome), era um aliado do líder revolucionário Robespierre e seu Reino do Terror. Ele denunciou Saint-George, acusando-o de corrupção e má gestão financeira. Saint-George foi preso em 1793, mas libertado um ano depois, após a queda de Robespierre.

Os últimos anos da vida de São Jorge não foram felizes. Ele retornou ao Caribe durante vários anos na década de 1790 e ficou profundamente desiludido com a guerra de preto-a-preto que ele testemunhou na ilha de Santo Domingo (agora o Haiti e a República Dominicana), como revoltas de escravos e o governo francês enviou Tropas, muitos deles ex-membros da Legião de Saint-George, para anulá-los. De volta à França, tornou-se diretor de uma nova orquestra chamada Le Cercle de l’Harmonie, que se apresentou no Palais Royale, antiga residência do Duque de Orleães. Sua fama ainda era tal que a orquestra atraiu grandes multidões que admiravam sua precisão e energia. Morando sozinho, Saint-George contraiu uma infecção da bexiga e morreu em 10 de junho de 1799. Várias edições comemorativas de sua música apareceram. Mas logo novas restrições sobre os negros apareceram em todo o império francês; A escravidão, que havia sido abolida em 1794, foi reimporta por Napoleão Bonaparte, e a luta se aprofundou no Caribe entre negros rebeldes  e tropas francesas. Saint-George e sua música foram retirados dos repertório de orquestra e essencialmente dos livros de história, para não ser redescobertos por quase 200 anos.

AFRIPEDIA

•novembro 7, 2016 • Deixe um comentário

O Mundo esta mudando e junto com ele a África também, novas perspectivas e imagens do continente e dos africanos também precisa mudar.

Afripedia e um projeto de colaboração entre novas geração de contadores de histórias, design, produtores culturais, artistas de várias áreas, fotógrafos, músicos, curadores, estilistas e cineastas, todos dialogando com a cultura contemporânea do continente africano interligando artistas de origem africana em todo o mundo em uma plataforma e futuro fórum para debates e propostas.

O lançamento da Afripedia será uma série documental de cinco partes retratando alguns artistas africanos e será apresentado primeiramente na TV Sueca e no Afripedia.com ainda este ano.

http://www.afripedia.com/#firstPage

SOBRE O TERMO “OMI”.

•novembro 6, 2016 • Deixe um comentário

Hoje dando uma estudada em alguns materiais sobre nosso povo,  por coincidência achei essa postagem da Irmã Gilza e resolvi trafica-lo em nosso blog.

Segue a postagem   na integra.

(Dedico esse texto aos meus irmãos)

A primeira vez que eu vi (li) o termo “omi” achei que era uma sigla. Parei um pouco pra pensar, e entendi do que se tratava após a célebre frase “omi fazendo omice”. É uma referência aos “homens que não são homens de verdade”. Homens que são machistas.

Bom, eu escrevo, milito, trabalho, vivo e respiro para, com e por causa do meu povo. Então eu quero discutir aqui o uso deste termo em relação aos homens PRETOS.

Quando entendi o significado, automaticamente lembrei de Fanon: “Eu só queria ser um homem comum, mas eu sou um homem preto”. E Fanon, homem preto, fala no seu célebre livro “Pele Negra, Máscaras Brancas” sobre como os pretos são socialmente vistos como “menos homens”. Ele chama atenção para o fato de que não é a toa que a representação mais comum do homem preto nas nossas sociedades é de homens pretos jovens. No dia-a-dia, homens pretos raramente são tratados como “senhores”. Antes, ele é o grande “brother”, mesmo que tenha 50 anos de idade.

Samora Machel também se refere a isso no livro “Estabelecer o Poder Popular para Servir às Massas”. O que a colonização fez, segundo ele, foi, dentre outras coisas, reduzir os homens de um povo a uma trupe de “moleques”. Malcolm também escreve sobre isso em sua auto-biografia.

Em resumo, o que eu quero dizer é que homens pretos, sempre foram os “omis” da sociedade. A supremacia branca sempre agiu assim e isso não é nenhuma novidade, mas ver mulheres e homens pretos usando esse termo me corta o coração. Dói em mim. Idem para o termo “macho”. Como “machos” e “fêmeas” fomos vendidos por 400 anos (só na diáspora atlântica). Como podemos não observar a perversidade disso?

Alguns podem até ter esquecido, mas homens pretos são meus/nossos filhos, sobrinhos, irmãos, pais, tios, avôs, amigos. Homens pretos são nossos Orixás. E os Orixás também são “menos homens”. Porque o deus homem “de verdade” é o deus branco do cristianismo. Xangô, Ogum, Obaluaê (…) são “menos-deuses homens”. São “deuses omis”. E quando eu vejo pessoas pretas escrevendo “odeio homens”, “morte aos homens” e afins, eu fico me perguntando: essas pessoas não tem ancestralidade não?

Quando um homem preto comete um crime, ele será enjaulado e tratado como o “omi” social que é. A situação dos homens pretos nas cadeias deste país revela mesmo que estes são os “omis”. Quando homens pretos cometem crimes, muitos contra mulheres pretas, quero sim que eles paguem por isso (mesmo sendo uma árdua defensora da abolição das prisões, militância que aprendi com a Angela Davis). Mas esse homem jamais se tornará um “omi” pra mim. Porque em última instância, “omi” retira do homem preto a sua humanidade historicamente negada. É chutar quem já está caído. Homens pretos continuam sendo homens e humanos mesmo quando fazem as maiores merdas. São homens. Jamais “omis”. Por favor, já tiraram tanto a nossa humanidade! Como é possível que possamos fazer isso com nós mesmo?

Finalizo dizendo que precisamos ter muito cuidado com as palavras que a gente usa. O cuidado com as palavras e os nomes é essencialmente africano. E eu queria dizer aos meus irmãos pretos que eu lamento muito, muito mesmo essa febre adolescentóide que tomou conta das redes sociais. Eu tive um pai preto maravilhoso, um homem preto que cometeu suicídio devido às consequências do racismo (um dia escreverei sobre isso), e eu bem compreendo as consequência do que é ser tratado como “omi social”, e como é se sentir um “omi social”.

Meus irmãos pretos (e quem são meus irmãos sabem que são), espero que juntos, aos pouquinhos, possamos ir reconstruindo nossas comunidades, famílias e relações. Que a gente volte a aprender a se amar. E a se olhar nos olhos. São vocês os homens que eu admiro. Quando vocês errarem, eu vou ser a primeira a cobrar vocês por isso, mas sem jamais esquecer de que nós somos UM SÓ POVO. E que sua negritude é a minha. E que sua humanidade é a minha. E que eu sou sua irmã. E que você sou eu.

ANKH, né? Quem realmente conhece nossa ancestralidade, sabe do que eu tô falando. Sou porque somos. Ubuntu é isso.

Fonte: https://www.facebook.com/gilza.merces/posts/962878210449190

 

 
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